quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

CRESCIMENTO QUALITATIVO E QUANTITATIVO ( At. 4.17-22)

O texto agora mostra uma preocupação do Sinédrio para com Pedro e João e com o crescimento dos chamados cristãos: “Mas, para que não haja maior divulgação entre o povo”. Na verdade, os doutores da lei não encontraram nada que distorcesse as suas condutas morais e sociais, e por isto tinham medo que o que eles estavam pregando pudesse se espalhar rapidamente por todo o Israel. Mas eles pregavam Jesus, o Nazareno, e o próprio Jesus tinha ensinado por três anos aos seus discípulos a testemunharem, pois sem o testemunho a pregação não iria produzir frutos.

Seguir um líder ou uma causa não é fácil, pois antes de tudo você tem que saber quem e o que você está seguindo. Algumas pessoas seguiram alguns líderes que sempre acabavam não testemunhando com a sua pregação, como foi o caso de Charles Taze Russel, fundador das Testemunhas de Jeová, que na sua vida muitas vezes apareceu nos tribunais por ações movidas pela sua própria esposa por causa de intolerância, maus tratos e um caso extraconjugal com a sua empregada Rose Ball.

Também podemos citar o fundador dos mórmons chamado Joseph Smith Júnior (23/12/1805) pregou a poligamia onde aconteceu uma cisma (raxa) na seita, teve 27 esposas, 44 filhos, vários casos com a polícia e acabou sendo assassinado a tiros em 27 de junho de 1844. A diferença da igreja de Atos com estas seitas é que a igreja tinha a simpatia de todo o povo: “ louvando a Deus e contando com a simpatia de todos...” (At.2.47). Na verdade, eles estavam seguindo homens e tudo aquilo que esses homens pensavam, mas nós estamos seguindo Jesus, a causa do Evangelho. Homens e mulheres são apenas chamados por Deus para: pastorear, cuidar e tratar, mas a causa sempre será a de Jesus. O alvo sempre será Jesus e não o homem: “Maldito o homem que confia no homem” (Jr.17.5).

Pedro e João testemunharam, proclamaram, expuseram as Escrituras e explicaram a finalidade de Deus em Jesus diante dos religiosos porque estavam cheios do Espírito Santo, e porque venceram o medo pela esperança da realização da vontade de Deus. O Evangelho jamais deverá ser pregado com medo, pois o medo retém, faz parar, faz travar, traz impedimento, tira a nossa visão do centro da vontade de Deus e nos faz retroceder. O avanço missionário, o crescimento numérico, o crescimento qualitativo e o crescimento na receita da igreja também são testemunhos vivos de que a obra é de Deus, pois era desta forma que o mestre Gamaliel avaliava os movimentos espirituais: “... se este conselho ou esta obra vem de homens, perecerá; mas, se é de Deus, não podereis destruí-los, para que não sejais, porventura, achados lutando contra Deus” (At.5.38-39). Todos esperam o mínimo de uma Igreja, que ela cresça e testemunhe Cristo através da sua vitalidade. Então, qual é o segredo para o crescimento?

A igreja tem que vencer o medo:

Imagine se o medo apoderasse de Pedro e João, e se eles se acovardassem e saíssem dali e não mais pregassem o Evangelho? Como ficaria o Cristianismo? Imagine se Paulo, depois de estar preso em Roma por causa do Evangelho e de Jesus, deixasse de crer e não escrevesse as cartas paulinas? Como ficaria o Novo Testamento sem as cartas de Paulo? Estes homens foram destemidos porque venceram o medo e porque tinham a convicção do chamado de Jesus para a vida deles e que morrer em Cristo era ganho: “Porquanto, para mim, o viver é Cristo, e o morrer é lucro. Ora, de um e outro lado, estou constrangido, tendo o desejo de partir e estar com Cristo, o que é incomparavelmente melhor” ( Fl.1.21-23).

Porque não falar também do Bispo Cipriano de Cartago, que por ter vivido testemunhando o Evangelho foi condenado à morte pelo Império, dando assim um grande testemunho diante de toda a sua cidade: “Convém que um bispo confesse o Senhor na cidade de sua Igreja, e deixe a seu povo a lembrança de sua confissão”. Como um homem correto assumiu a postura da humildade em saber que Deus estava no controle de tudo: “Ajoelhou-se para mergulhar-se numa longa oração. Fez dar ao carrasco, com uma magnitude régia, vinte moedas de ouro. Ele mesmo colocou a venda em torno dos olhos... e recebeu o golpe”. O golpe deu término a sua vida, ao seu fôlego, mas não conseguiu dar término ao seu testemunho que fala até o dia de hoje.

O medo nos impede de avançar:

A maior diferença entre a Igreja do passado e a Igreja de hoje é que a igreja do passado tinha coragem e ousadia e a de hoje em comparação com a do passado tem medo e covardia no que diz respeito ao testemunho e a evangelização. João Wesley certa vez escrevendo para um de seus assistentes chamado Alexander Mather disse o sequinte: “Dê-me cem pregadores que não tenham medo de nada, a não ser do pecado, e que não desejem mais nada, a não ser Deus, e, não me importo se são clérigos ou leigos, eles sozinhos farão tremer os portões do inferno e estabelecerão o reino dos céus aqui na terra” Hoje a pessoas têm medo e timidez de falar de Jesus para suas famílias, parentes, para seus filhos, para os amigos e colegas de trabalho. Têm medo e vergonha de orar, de orar em público, têm medo e vergonha de dizer para os outros que vai para a vigília, para a igreja, têm medo e vergonha de cantar, de tocar um instrumento, de louvar, de adorar, de levantar as mãos e de bater palmas, pensando no que os outros vão dizer, têm medo e vergonha de carregar a bíblia, por isso deixam em casa, têm medo e vergonha de crescer e de se multiplicar e têm medo e vergonha de dizer para os outros que é crente e servo de Jesus. Quem tem o Espírito Santo não pode temer, pois é Deus que impulsiona a vencer o medo e avançar na obra de Deus.

É preciso arriscar para poder avançar:

O covarde não arrisca, o tímido não arrisca. Um exemplo claro é a parábola dos Talentos descrita em Mateus 25.14-30 que diz que um homem ausentou-se do país e confiou os seus bens aos seus servos. A um deu 5 talentos, a outros 2 talentos e a outro 1 talento. Você já se perguntou por que o dono não dividiu em partes iguais, o que seria justo? Por que logo aquele a quem ele deu 1talento foi o que falhou? Na verdade, o homem (patrão) conhecia os seus servos e não queria perder muito, pois sabia que aquele que iria receber 5 talentos era corajoso, destemido, ousado e iria arriscar tudo para multiplicar, e por isto confiou nele a maior quantia. O que recebeu 1 talento era tímido, covarde, medroso e com o pé no chão, e por isto ele não arriscou nada e sofreu grande conseqüência: “Pois a quem tem, mais será dado, e terá grande quantidade. Mas a quem não tem, até o que tem será tirado”. Foi considerado servo mau e negligente. Por isso que ele fez essa distribuição, pois conhecia a cada um, suas capacidades e seus limites: “...Deu a cada um de acordo com a sua capacidade”(v.15 b). O padrão que temos que seguir não é aquele que ganhou 5 talentos, e sim o Senhor: “Sabias que ceifo onde não semeei e ajunto onde não espalhei” (v.26). Era alguém que do nada fazia acontecer.

Tem pessoas que querem satisfazer mais aos outros do que a Deus nas suas realizações (v.19):

Um discurso que tem se ouvido hoje: “As pessoas gostam assim... Os juvenis gostam desta maneira... Este filme não tem cunho evangelístico”. Mas não vejo ninguém perguntando o que é bom para Deus, se Deus vai gostar, se vai se agradar da determinada realização. Um grande erro cometido por líderes é querer agradar mais as pessoas do que a Deus: “...Como homens aprovados por Deus para nos confiar o Evangelho, não falamos para agradar pessoas, mas a Deus,que prova o nosso coração” (1 Ts 2.4 NVI) Devemos perguntar qual é a vontade de Deus, como falou Paulo na sua Carta aos Romanos 12.2 (NVI): “Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus”.

É preciso, acima de tudo, ouvir Deus, pois o seu sucesso dependerá dele:

A capacidade é importante, mas o que adianta a capacidade sem Deus. O seu intelecto é importante, mas o que adianta ele sem Deus. Quando você começa a dar a preferência a Deus procurando saber qual é a vontade dele, é aí que você passa a entender que o sucesso do mundo é do homem, mas na Obra de Deus é de Deus: “Eu plantei, Apolo regou; mas o crescimento veio de Deus. Porque de Deus somos cooperadores; lavoura de Deus, edifício de Deus sois vós”. O sucesso de mulheres e homens na Bíblia dependeu de terem ouvidos espiritualmente apurados para ouvir a voz de Deus: “julgai se é justo diante de Deus ouvir-vos antes de vós outros do que Deus” (v.19b).

É preciso testemunhar e falar das coisas que VIMOS E OUVIMOS (v.20):

As palavras foram ver e ouvir. Você só pode ser testemunha de alguém quando você vê e ouve, e eles tinham visto os milagres que Jesus realizara, ouviram os ensinamentos de Jesus e agora eles estavam tendo a oportunidade de serem usados por Deus para realizar um milagre. Imagine você como ficaram os olhos de Pedro e João ao verem que através de suas palavras estava acontecendo um milagre. No texto de Atos 3.2 nos passa que o coxo era de nascença, e no texto em Atos 4.22 acaba finalizando que realmente aquilo que aconteceu era um milagre: “Ora, tinha mais de quarenta anos aquele em quem se operara essa cura milagrosa”. Hoje Deus está precisando que o seu povo também se levante e testemunhe tudo o está vendo e ouvindo. Será que você tem testemunhado? Tem contado as bênçãos?

Nós precisamos dar o testemunho pessoal, e como igreja também temos que dar o nosso testemunho, pois uma igreja apática, fria, que não cresce, que não proporciona a maturidade cristã, que não alimenta as suas ovelhas, tem seus grupinhos, seus donos, que têm suas cadeiras cativas é uma igreja que não tem testemunhado a vitalidade do Evangelho.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

UMA ABORDAGEM PASTORAL SOBRE O LOUVOR ATUAL

A nossa geração pensa que foi ela que descobriu o verdadeiro louvor, e muitos já descartaram o louvor do passado há muito tempo. Pensando assim, acabamos deixando de lado a nossa própria história.

Assim sendo, nesta abordagem, iremos analisar a história e descobrir a preocupação de João Wesley sobre o louvor de sua época:

1. “Cante-os exatamente como estão impressos aqui, sem alterar ou corrigir, de modo nenhum...”:

É preciso antes de tudo entender o contexto da época, para compreender melhor esta expressão de Wesley. Na época o movimento metodista estava se estruturando, e este movimento foi fundado por João Wesley e outros líderes de suma importância como Carlos Wesley, um dos moiores hinógrafos de todos os tempos, William Morgam, Bob Kirkham, George Whitefield e outros. Por causa dessa diversidade de líderes, acabou tendo também uma diversidade de teologia e pensadores dentro do próprio metodismo e dois pensamentos teológicos distintos: arminiano e calvinista. A maioria dos hinos daquela época acabava propagando estas duas teologias e mesmo Wesley sendo arminiano, respeitava os hinos de cunhos calvinistas, e desta forma respeitando o autor e a história do hino.

Atualmente, temos visto pastores se sentindo verdadeiros donos da verdade, acabam fazendo verdadeira varredura nas composições dos hinos e cânticos, avaliando-os segundo a sua maneira de pensar, ou no seu cunho teológico. Eu vejo que os hinos são verdadeiras ações democráticas de Deus na vida da igreja, pois acabam sendo a expressão do povo e da comunidade ao seu Deus. Prova disso que a maioria dos compositores e cantores são leigos e não pastores (clérigos) e os hinos mais cantado pelas igrejas de uma forma geral são aqueles compostos por leigos, pois eles acabam vivenciando de maneira mais próxima dos sentimentos e das necessidades da Igreja; porque estão relacionados com o dia a dia das pessoas e suas preocupações, não simplesmente com a teologia, e sim com a inspiração dada por Deus através da sua experiência do dia a dia.

Tentar corrigir um hino (cântico), ou tentar mudar a sua letra é a mesma coisa que matar uma poesia de Machado de Assis. Antes de querer mudar uma letra de um hino ou corrigi-lo, é necessário procurar a sua história, como é o caso do hino “Ao Único”, o qual, muitos pastores criticavam este hino na sua frase: “Coroamos a ti senhor Jesus”. Diziam que teologicamente e biblicamente estava errado, pois, quem somos nós para coroamos o Senhor Jesus; e outros diziam: Jesus já está coroado.

Quando foram entrevistar o autor, ele contou a história do hino que um dia teve um sonho com o trono de Deus e que Jesus deu a cada um uma coroa de ouro, mas todos os que receberam devolveram a coroa achando que não mereciam, e que só Jesus merecia ser coroado. Conhecer a história do hino é muito importante, pois a inspiração vem através de um momento em que o autor está passando e este momento acaba refletindo e criando um hino.

2. “Cante tudo”. Procure cantar com a congregação tão freqüentemente quanto puder...

O canto é uma expressão do sentimento de alegria que está dentro de nós, tem um adágio popular que diz: “quem canta o seus males espanta”. É muito difícil cantar quando se está triste, ou sofrendo por causa de alguma coisa. Neste ponto, Wesley têm duas preocupações: 1a ) cantar tudo: Na verdade, nós temos quase sempre uma atitude de selecionar aquilo que vamos cantar, mesmo sendo hinos evangélicos, temos a característica de selecionar aqueles hinos que mais nos agradam, que a letra se identifica com a pessoa. As vezes as pessoas estão cantando o que está na moda, outros só querem cantar os antigos hinos do hinário.

Cante tudo, não podemos deixar de cantar os hinos antigos que fazem parte da nossa história, e que foi através deles que tudo começou. E não podemos também da mesma forma deixar de cantar os novos hinos, ou os chamados corinhos.

2a ) “Procure cantar com a congregação tão freqüentemente quanto puder”. Vemos o anseio de Wesley para que as pessoas não abrem mão do louvor comunitário, da adoração em comunidade. Quantas experiências que já vimos de pessoas que muitas vezes estão cansadas, desanimadas por causa das lutas do dia a dia, e quando chegam na igreja não tem nem forças nem para abrir a boca; e quando conheça o louvor, as pessoas começam a cantar, adorar. É neste momento que a presença de Deus começa envolver a todos presentes em uma só fé, em só coração e todos num mesmo Espírito. É neste momento que vem a renovação espiritual e a restauração física.

3. “Cante com entusiasmo e com coragem. Cuidado para não cantar como se estivesse meio morto ou meio dormindo, mas erga sua voz com força”.

Cantar com entusiasmo me faz lembrar do saudoso Rev. Asér D’avila Ramos que mesmo com seus mais de 70 anos de idade, quando era chamado para dirigir o coro ou algum cântico e via a igreja apática, logo admoestava a igreja para cantar com vontade, com alegria e com muito entusiasmo, assim como Wesley pedia. A palavra entusiasmo no dicionário significa:

1. Estado do espírito impelido a manifestar a admiração que o invade;

2. arrebatamento; paixão; transporte; alegria intensa; inspiração;

Ele acaba acrescentando que além do entusiasmo, é necessário cantar com coragem como se fosse para deixar de lado o medo, a timidez, a vergonha e concentra-se em Deus, e fazer de tudo para agrada-lo através do canto, do louvor e da adoração.

Logo depois, Wesley vê um grande perigo para com o louvor e a adoração comunitária, e pede a igreja, para tomar cuidado, primeiro para não cantar como se estivesse meio morto, e muitas igrejas tem esquecido que o Evangelho proporciona uma vitalidade que não importando a idade à pessoa tem que ter um prazer extraordinário de adorar ao Senhor. Tem igreja que você entra parece que o louvor que está sendo prestado a Deus parece até com um culto fúnebre, sem alegria, sem prazer, sem entusiasmo, sem vida e completamente dominado pelo sono.

Certa vez eu estava em juntamente com a equipe ministrando o louvor em um retiro de carnaval e de repente os jovens formaram o chamado trenzinho, e só vi quando aquelas pessoas passaram bem perto do grupo que estava ministrando. Quando eu vi fui pedir para que os jovens pudessem respeitar os idosos ali estavam presentes, e quando ia falar, de repente dei de cara com a pessoa, a primeira da fila que estava puxando o trenzinho e era ninguém mais e ninguém menos que a nossa querida irmã Albertinha que na época tinha 92 anos de idade.

O louvor ideal é um louvor que busque acima de tudo o equilíbrio no entusiasmo, pois não podemos também utilizar o louvor prestado a Deus para dar espetáculo e sensacionalismo. Como cristãos não podemos jamais nos esquecer da reverência ao templo e a Deus.

4. “Não tenha mais medo de sua voz agora... do que quando cantava as músicas de Satanás...”

5. “Cante com modéstia. Não grite de modo que seja ouvido acima ou destacado do resto da congregação...”

6. “Cante no compasso... não corra na frente nem fique para trás, mas fique junto com as vozes que estejam liderando e também acompanhe-as tão exatamente como puder...”

7. Acima de tudo, cante espiritualmente. Tenha olhos em Deus em cada palavra que cantar. Busque agrada-lo mais do que a si mesmo ou qualquer outra pessoa. (Collection,765).

O Momento do nosso louvor atual é muito complexo no que diz respeito a dois grupos: levitas e sacerdotes. Muitas pessoas hoje estão sendo consagradas a pastores(as) porque cantam bem, são bons ministros de música, são até missionários da músicas e através do dom dado a Deus através da música conseguem viajar em várias cidades brasileiras ou até em outros países através da música, até aí tudo bem. Só que hoje virou moda consagrar músicos e cantores a pastores(as), virou modismo você ver propagandas de shows evangélicos de cantores-pastores. Muitos desses cantores não tem chamado sacerdotal, chamado para a palavra, para o aconselhamento pastoral, para administração eclesiástica, para visitação das ovelhas, dos enfermos, da oração... Porque na verdade, muitos não têm nem tempo para a função pastoral, mas por outro lado querem o título de pastor, pois ainda não conhecem verdadeiramente a importância de ser um levita para o culto a Deus. Isto só acontece por causa de uma coisa: vaidade, e, Salomão acerta como diz que “ tudo é vaidade”. Vejamos porque.

Os levitas e os sacerdotes só existem por causa do culto, é o que é culto? Na nossa cabeça o culto é momento de abertura com uma oração, momento de louvor, ofertório, pregação e benção apostólica. Só que culto significa algo mais do que isto, mais profundo do que isto. Culto e serviço sagrado principalmente neste texto Rm 9.4, 12.1; Hb 9.1,6,9,14; Mt 4.10; Ap 7.15, 22.3 a palavra que é usada para culto e serviço sagrado é “latreia” que significa culto, ação sacerdotal, adoração e gesto agradável (a Deus). Mas está palavra também têm outros dois significados importantes, que no português um significa “latria” que é a mais alta forma de adoração a Deus, e o que adora significa o “latrineiro” que vem de latrina que é lugar para dejeções, privada. Isto esta parecendo estranho para você, não é, mas eu explico e você vai entender: Jesus usou muita a figura de servo e senhor. Sendo assim, temos que pensar em uma casa, um senhor e os seus servos. Nem todos os servos têm a mesma função: um cuida da mesa, do alimento que vai para a mesa, outro cuida de servir a mesa, outro da arrumação da casa, outro de lavar os pés daquele que se achegam a casa, outro na lavoura, mas, na casa do senhor tem um servo que acaba fazendo o pior serviço, este é considerado o pior de todos, o mais humilde que é o limpador de latrina, o “latrineiro”, o limpador de fossa. Sendo assim, prestar culto à Deus é se torna o pior, o maisdesprezível, fazer aquilo que todo rejeitam, tudo isto com amor e prazer, apenas para agradar o seu Senhor: importa que ele cresça e eu diminua.

Uma analogia do servo que limpa latrina, com aquele que presta culto, que é responsável na preparação do culto, são as seguintes: porque são os servos e têm que ser os mais humildes da casa; tem que se considerar os menores de todos da casa; a realização de sua tarefa sempre será em benefício do seu senhor, e tem que ser feita com amor e dedicação; podemos dizer que o “latrineiro” tem que limpar aquilo que os outros se recusam, da mesma forma o que presta culto tem esse serviço no momento de adoração, tem que fazer a limpeza, ou melhor, tem que limpar, pois, muitos chegam na igreja cheios de desânimo e de sentimentos, como: depressão, tristeza, raiva, ódio, irá e através do louvor o levita que presta culto irá levar a pessoa querer se limpar para ser usado por Deus.

Mas só o que temos visto hoje, os chamados levitas estão muito longe da posição de um “latrineiro” que presta serviço ao seu senhor, isto é, um servo que se considera a si mesmo o menor, pelo contrário, os levitas de hoje querem de qualquer maneira estar a frente, querem se aparecer, e muitos não são nem um pouquinho humilde, pelo contrário, são presunçosos, arrogantes, irritantes que querem, muitas vezes, serem mais adorados do que mesmo adorar a Deus. A Bíblia diz que “o Senhor habita em meios dos louvores” (Sl.22.3). Isto é, Deus habitava em meus aos louvores de Israel. Será que Deus tem habitado nos louvores que tem acontecido em parque de exposição com bilheteria, com vendagem de CD's e DVD's? Deus tem habitado realmente nos nossos louvores? Temos sentido realmente a presença de Deus em meio aos nossos louvores?

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

LEMBRAI-VOS DA MULHER DE LÓ (Lc. 17.32)



Jesus estava falando

para os fariseus sobre a salvação e manda lembrar da mulher de Ló. Lembrando a todos que a mulher de Ló estava caminhando para a salvação e em alguns metros estaria longe da grande destruição, mas mesmo estando no caminho da salvação acabou perdendo aquela grande oportunidade por causa do pecado: o pecado de não conseguir larga tudo por causa de Deus. Estava preocupada com o material; não conseguiu seguir sozinha sem que alguma coisa lhe chama-se atenção. Jesus fala para os Fariseus os quais achavam que pela posição da raça poderiam ser salvos.

Porque Jesus fez este pedido?

1. Ló, sua esposa e suas filhas estavam no caminho da Salvação, mas nem todos alcançaram a oportunidade que Deus estava dando:

Muitos começaram na fé e estão no caminho da salvação. Como que é este caminho?

A) Não é fácil: Há uma grande diferença entre milagre e mágica: as pessoas querem as coisas como um passe de mágica, a magia é um truque, uma ilusão de ótica; o milagre para acontecer precisa de: FÉ, confiança, determinação, perseverança .

B) Nem sempre iremos ouvir ou encontrar aquilo que queremos: O convite que com Deus não iremos passar por dificuldades e provações é mentiroso, pois, Jesus, juntamente com seus apóstolos sofreram e mesmo assim são até hoje conhecidos como vitoriosos.

C) No caminho para a salvação não largamos rastro e sim testemunho: ( Is. 26,7 ) “O caminho do Justo é plano”. O olhar para trás não é pecado, quando você olha para glorificar à Deus, o pecado é olhar para as coisas que você deixou para trás para seguir o caminho da salvação, pois, neste caminho não há vitória sem luta: Pv. 10.29: O caminho do Senhor, é fortaleça para os retos; mas é destruição para aqueles que praticam a iniqüidade. ( Js. 1.8 ) “ Então farás prospera o teu caminho e serás bem sucedido”.

2. Somos assediados à olhar para trás:

Quantos que estão no caminho da salvação, e ao mesmo tempo estão olhando para trás ( mundo e o pecado ), ou estão no caminho e algumas coisas o assedia como: o vício, a mentira, corrupção, alguns não resistem as mulheres, outras os homens: Hb.12.1-2: ... “... corramos com perseverança a carreira que nos está proposta, olhando firmemente para o autor e consumador da fé, Jesus”.

Quando olhamos para trás, a tendência é olhar para as pessoas que nos feriram, para o fracasso e para os erros – única coisa que devemos olhar para trás é para cruz, porque é na cruz que Deus nos revela que temos que olhar para frente, para o propósito que Ele tem para nós – uma nova vida e novas oportunidades: Jr. 29.11: Porque sou eu que conheço os planos que tenho para vocês, diz o Senhor, planos de faze-los prosperar e não de causar dano, planos de dar-lhes esperança e um futuro”.

3. Próximo de ser salva perde a salvação:

Muitos estão se baseando que uma vez salvo sempre salvo. Esquecem que o salário do pecado é a morte e morte eterna. Jesus estava falando para os fariseus a respeito do Reino de Deus, que não seria visível, mas estaria dentro de cada pessoa (v. 20,21). Se fosse assim Jesus não teria perdido tempo em falar sobre vigilância, pois, muitos, próximo de receberem a benção, deixam escapar. O errar é humano, mas a mulher de Ló errou quando ela não podia: é isto tem acontecido com muitos que andam no caminho do senhor e não são vigilantes. Cuidado que isto poderá acontecer com você na vinda do nosso Senhor Jesus.

4. Ela virou uma estátua de sal:

A mulher de Ló sofreu uma conseqüência trágica por se apegar naquilo que tinha deixado para trás. Estátua e uma coisa que existe mas não tem vida, saiu completamente do eterno propósito de Deus. Jesus falou que temos que deixar pai, mãe e irmãos para depois pegar a nossa cruz, e a cruz e o começo para a nossa caminhada

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Conclusão: Jesus como pastor supremo sempre quer nos mostra a direção correta. Por isto, nos deu um alerta para sempre ficar em vigilância – Lembrai-vos da mulher de Ló. Ele é o caminho, mas, não vai no meio deste caminho olhar para trás, pois, poderá perder tudo o que foi conquistado até hoje: Jo 14,6 “ Eu sou o Caminho, a verdade e a vida, ninguém vai ao Pai se não for por mim”.

Pr. Orlando Carrafa dos Santos

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

ENTRA NA MINHA CASA, E ENTRA NA MINHA VIDA

Referência Bíblica Apocalipse 3.14-22

O livro de Apocalipse é um livro cheio de simbologia, e podemos ver estas simbologias estampadas no capítulo 1, versos 12 e 13 dizendo o seguinte: “Voltei-me para ver quem falava comigo e, voltado, vi sete candeeiros de ouro [que significam as 7 igrejas segundo verso o 20] e, no meio dos candeeiros, um semelhante a filho de homem com vestes brancas e cingido, à altura do peito, com uma cinta de ouro”. João quer nos passar que Jesus está no meio das igrejas, Ele vê o que passa no meio da igreja, Ele sente qual é o verdadeiro sentimento da igreja e de tudo o que realmente acontece na igreja, que não são apenas as paredes, mas todos os que vivem a dimensão da fé. Por isto que em todas as cartas existe um remetente como na carta à igreja de Laodicéia: “Estas coisas diz o Amém, a Testemunha fiel e verdadeira, o Princípio da criação de Deus”.

Também chamo a sua atenção de que o nosso lar tem que ser uma extensão da igreja de Cristo, pois, Moisés conciliava o templo com a família. Também o cristianismo tem uma coesão entre o lar e a igreja, pois, o cristianismo nasce realmente nas casas, e não no templo. Sendo assim, onde está Jesus na sua casa? Dentro de casa ou na porta do lado de fora? Diz a palavra: “Eis que estou à porta e bato” (v.20), no grego literal diz: “Eis que estou (parado) junto à porta e bato”. Significa que a Igreja achava que tinha a presença de Jesus, que Jesus passeava em seu meio, atuava no seu meio, mas na verdade Ele estava à porta e do lado de fora; e muitas vezes Ele está assim nas igrejas e nos lares.

Por que, então, Jesus não entrava na Igreja de Laodicéia?

1. Porque ele diz: “... conheço as tuas obras”, na TLH: “Eu sei o que vocês têm feito” (v.15) :

Jesus está falando aqui para a Igreja de Laodicéia que sabia de tudo o que acontecia tanto dentro como fora da igreja, isto é, a vida de cada um na igreja, em casa e na sociedade. Ou seja, a nossa vida na igreja nem sempre a família e a sociedade sabem como que é. Já a nossa vida em casa, na maioria das vezes, nem a igreja e nem a sociedade sabem realmente como que é. E a nossa vida na sociedade, muitas vezes, nem os de casa e nem os da igreja realmente sabem como que é. Quer dizer que caímos no grande erro de ser bom para os de fora, mas terríveis para os de casa; de sermos uma pessoa boa dentro da igreja, mas terrível em casa e na sociedade. Será que tudo o que temos feito tem agradado ao Senhor? Deus tem estado satisfeito? Jesus está falando que conhece as nossas obras e todos os lugares onde estamos, isto é, Jesus vai de contra com aqueles que querem viver uma vida de aparência.

Que nem és frio e nem quente, és morno (v.16): A cidade de Laodicéia era conhecida por suas fontes térmicas e procurada por muitos. Mas Jesus fala usando a figura de uma fonte que tinha na cidade que acabava enganando muitos viajantes, pois, ela ficava em uma área seca e desértica que chamava a atenção por causa das suas águas cristalinas, e muitas vezes, os viajantes chegando de viagem e com muita sede, corriam ao seu encontro para saciar a sua sede, só que quando colocavam na boca, a água era completamente morna. Imagine você beber uma água morna numa região completamente quente, isto é bater na boca e dar logo aquela vontade de vomitar. Aquela fonte só tinha aparência, e Jesus está cobrando da igreja de Laodicéia que muitos ali só viviam de aparência, no meio termo e em cima do muro. Jesus não quer você pela metade, e sim completo. Enquanto o lar estiver vivendo de aparência Jesus vai estar na porta, do lado de fora. É preciso, então, reconhecer os pecados e as falhas.

2. Porque ele não habita em um lar arrogante e auto-suficiente (v.17):

Alguém já disse: “Prosperidade sem Cristo é desgraça eterna”. E é isto que o verso quer dizer: “Estou rico e abastado e não preciso de coisa alguma”. A cidade de Laodicéia passou por um grande terremoto que a destruiu completamente no ano 60. O Senado Romano ofereceu ajuda para reerguê-la, mas ela recusou. Isto encheu os habitantes de auto-suficiência. Da crise a cidade cresceu exuberante por causa de três áreas: centros bancários: era conhecida como cidade do ouro; pela indústria têxtil: o tecido de lã era considerado o melhor; e principalmente pela indústria farmacêutica: fabricava um colírio considerado dos melhores. A prosperidade acabou trazendo arrogância tanto para a cidade como para a Igreja, pois, achavam que não precisavam mais de nada, mas estavam enganados, pois Jesus estava na porta do lado de fora. Um lar onde há arrogância, prepotência e auto-suficiência, é um lar onde Jesus está na porta e do lado de fora. Achavam que tinham tudo, mas na verdade Jesus começa revelando a real condição, não tinham a mesma condição espiritual, pois espiritualmente eles eram:

1) Infelizes, Miseráveis e pobres: Esta era a condição espiritual da igreja de Laodicéia. A prosperidade nunca foi, e nunca será sinal de espiritualidade. É bom sermos prósperos, mas o que adianta ser próspero sem Jesus? Jesus prefere ter você na sua simplicidade, financeiramente falando, do que ver você próspero, cheio de dinheiro, com um bom emprego, mas completamente longe d’Ele. Têm pessoas que, infelizmente, a prosperidade faz afasta-las de Jesus: quanto mais próspero mais deixam a casa de Deus e a Obra; quanto mais prósperos, mais distantes de Jesus. Têm pessoas que quando estão no chão, na pior, chamam Jesus para a sua casa, chamam por socorro, pedem ajuda, mas, quando estão prosperando ou numa boa, deixam Jesus na porta e do lado de fora.

2) Cegos: Tinham o melhor colírio da época, mas espiritualmente estavam cegos, pois, não conseguiam enxergar a verdade; e a verdade era que Jesus estava à porta mas do lado de fora. E a pior cegueira espiritual é quando a pessoa não consegue enxergar os seus próprios pecados: “ Trarei angústia sobre homens, e eles andarão como cegos, porque pecaram contra o Senhor... (Sf. 1.17). Podemos dizer também que há muitos cegos espirituais guiando outros cegos: “Deixai-os; são cegos, guias de cego. Ora, se um cego guia outro cego, cairão ambos no barranco” (Mt. 15.14).

3) Nus: Tinham o melhor tecido, andavam exuberantes, chiques, mas, infelizmente, espiritualmente estavam completamente nus.

a) Jesus 1o aconselha (v.18):

Jesus poderia deixa-los viver desta maneira ou neste estado espiritual, mas não, antes de tudo, Ele ama o pecador. A princípio, Jesus os aconselha a:

1) Comprar o ouro refinado passado pelo fogo: Na simbologia apocalíptica, o ouro é um símbolo estreitamente ligado à divindade (altar ou trono). Comprar o ouro significa, portanto, reconhecer Jesus como Deus, pois, Ele foi provado mostrando a sua pureza e incorruptibilidade.

2) Usar vestiduras brancas para não ser manifesta a vergonha da nudez: Estas vestiduras significam as vestes lavadas através do sangue do cordeiro de Deus, e são as vestes dos santos. Você só pode ter esta veste quando reconhecer realmente os seus pecados; aquilo que te envergonhava é coberto por uma nova veste, e ninguém poderá te acusar do seu passado, daquilo que era vergonhoso, pois, você tem as vestes brancas, as vestes dos remidos e dos salvos.

3) Ungir os olhos com Colírio: Na cidade havia o melhor colírio, mas, espiritualmente eles ainda estavam precisando de Colírio santo nos olhos, pois, os olhos e a mente são umas das partes do nosso corpo que nos fazem pecar; e os olhos são vitais não só para o corpo, mas para a alma, pois os olhos são as janelas do corpo: “São os olhos a lâmpada do corpo. Se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo será luminoso; se porém, os teus olhos forem maus, todo o teu corpo estará em trevas” (Mt.6.22-23). Por isto Jesus pede para sempre ungirmos os nossos olhos, não com o colírio da cidade de Laodicéia, mas sim, com o colírio que é o próprio Jesus, isto é, que os seus olhos sejam olhos de Cristo.

b) Depois Ele repreende e disciplina porque nos ama:

Quem é pai ou mãe entende porque os pais vão até o fim por causa da vida dos filhos. Eles só insistem com seus filhos porque os amam, pois, aqueles que não amam seus filhos os deixam e os abandonam. Por isto que Jesus aconselha e depois repreende (elégcho): que é o mesmo que provar, demonstrar, argumentar, repreender e corrigir. Além disto, Ele disciplina (padeúo) que é o mesmo que educar, formar, instruir ou punir. Aqui é uma característica paterna de Jesus. Depois destas ações do Cordeiro, só tem uma coisa para o ser humano fazer: se arrepender (voltar atrás).

3. Ele aguarda para entrar na sua casa e no seu coração:

A Igreja de Laodicéia pensava que tinha a presença e a atuação de Jesus, mas, na verdade, Jesus estava à porta, e do lado de fora. Ele sabe que você só vai convida-lo para entrar a partir do momento que você sentir necessidade, por isso Ele aguarda. No grego literal, a palavra diz assim: “se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, [também] entrarei para junto dele, e cearei com ele e ele comigo”. Jesus não quer apenas entrar na sua casa ou na sua vida, pois, entrar, qualquer um pode, mas Ele quer entrar “para ficar junto de ti”, Ele quer ter um relacionamento pessoal contigo, uma verdadeira intimidade contigo em toda e qualquer situação.

4. Para que você possa herdar juntamente com Ele a vida eterna (v.21):

Ele não diz que isto é fácil ou simples, mas é necessário. Desta forma você se tornará vencedor: “Ao vencedor, dar-lhe-ei sentar-se comigo no meu trono, assim como também eu venci e me sentei com o meu Pai no seu trono”. Este “sentar-se no trono” na verdade é um direito que você terá porque em algum momento você parou tudo o que estava fazendo, e no seu silêncio ouviu a voz de Jesus e abriu a porta, pois enquanto não parar com o tumulto é impossível ouvir a voz doce ou o toque suave de Jesus batendo à porta. Jesus é paciente, não desistiu de você e não foi embora. Ainda há tempo, ouça agora o toque e a voz de Jesus chamando o seu nome, corra até à porta para faze-lo entrar na sua vida e no seu coração.

Conclusão:

Infelizmente, a igreja de Laodicéia não existe mais porque não quiseram mudar. Mudar na verdade não é fácil e nem simples, pelo contrário, é complicado. Têm pessoas que dão desculpas porque não querem mudar, e mesmo se dizendo servos, falam: “eu faço isto porque eu sou assim mesmo, não tem como mudar o meu jeito de ser, é a minha personalidade”. Não, amados! É Jesus quem está te convidando a mudar. Isto é o que Jesus quer ouvir de você: “Logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus” (Gl. 2.20) . Por isto que Jesus termina esta carta: “Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas”.

Pr. Orlando Carrafa dos Santos

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

TER PAZ COM DEUS


INTRODUÇÃO

O texto começa dizendo: “... justificados, pois, mediante a fé, temos...”— não é teremos e nem tivemos —“... paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo”. O interessante é que a promessa é algo que se existencializa no presente, e está falando de se ter paz com Deus já... agora...

Trata-se de uma fé que continua a ser fé, porque não nos oferece materialidades. Não é um joguinho de dados; não é uma crença animista, não é uma mecânica espiritual. Quando ela se instala, se instala como mistério, e, como tal, você não pode explicar, mas também não pode negar a presença de tal realidade em você.

Só que tudo isso começa nos remetendo para o texto anterior a este, porque o texto diz: “... justificados, pois,...” Ou seja: somos justificados por causa de alguma coisa. Assim, é como se Paulo dissesse: “É por causa do que eu venho falando que vocês estão justificados”.

O que Paulo vinha falando anteriormente era sobre Abraão, e de como Abraão foi justificado pela fé, não por obras da lei, nem pelo rito da circuncisão, nem por qualquer obediência que precedesse a sua própria justiça. Toda obediência que acontece em Abraão é obediência patrocinada pela pulsão da fé.

Ou seja: é essa fé que está presente nele de modo inexplicável, aquilo que Deus toma e transforma na própria justiça de Abraão; imputa justiça a ele, não porque ele seja justo, mas porque ele crêem Deus. Essa é a sua justiça, essa é a virtude que não é dele; ou seja: ele é feito virtuoso pela virtude que não possui; ele é feito virtuoso porque a própria realidade da fé é anterior a ele mesmo, e não é uma produção virtuosa dele próprio, visto que até a fé lhe foi dada.

Isto porque intelecto nenhum pode justificar a obediência em fé de um homem que atende a uma voz noturna que diz: “Abraão, pega teu filho, teu único filho, Isaque, a quem amas, e leva-o a um monte que te mostrarei; e ali oferece-o em holocausto a mim.” E Abraão se levantou e foi.

Paulo começa “essa viagem” no capítulo anterior, falando de como Abraão foi justificado pela fé, e diz que a primeira manifestação disso está no fato de que ele ouviu uma Voz na Mesopotâmia, creu, levantou, e foi... E o resto da vida ele caminhou ouvindo promessas que não se materializavam, ou algumas que se atrasavam para sempre, que só iriam se encarnar depois que todas as forças humanas dele tinham sido esgotadas de tal modo, que o filho que lhe é prometido só lhe é dado quando ele já não tem mais nenhum vigor para procriar, quando a própria esposa dele já não podia mais nem oferecer óvulos para procriação, porque tinha entrado na menopausa há muito tempo; mas ele creu o tempo todo no Deus que vivifica os mortos.

Abraão não é o nosso santo predileto, é apenas nosso irmão mais antigo na fé na ressurreição dos mortos!

1° Ponto:

GLORIEMO-NOS NA ESPERANÇA DA GLÓRIA DE DEUS

Paulo, na seqüência do texto, fala de três perspectivas de glória que essa paz com Deus produz em nós. A primeira é a esperança da glória de Deus: “... gloriemo-nos na esperança da glória de Deus”.

Por causa dessa obra que está feita, dessa paz que foi obtida, por causa dessa graça na qual estamos firmes pela fé em Nosso Senhor Jesus Cristo, por causa dessa certeza de total apaziguamento entre a minha alma e Deus, por causa da convicção total de que os meus débitos foram todos cancelados — Sim! Por causa disso tudo, eu posso entrar com cara limpa para além de todos os véus que já foram rasgados por Jesus. De modo que em Cristo, eu tenho acesso, com intrepidez, a essa graça na qual eu agora estou FIRME.

Agora, isso produz um sentimento de glória na gente. E que não é glória pessoal. Porque você não tem do que se gloriar, pessoalmente, nesse processo inteiro. Ou tem? Porque se você tiver, eu repito: você vai ter que se vestir das suas justiças próprias.

Mas se você confessa que não tem justiça própria e que a sua justiça vem da fé que foi dada a você, e confessa que tal entendimento veio pela iluminação do Espírito acerca do que Jesus já consumou a seu favor, então, você tem que ter paz com Deus. Não precisa ter medo de Deus. Pode andar distraído... Mesmo! E, aí, a primeira coisa que surge é esse sentimento de uma glória, onde você se gloria na esperança da glória de Deus.

É uma pena perceber que nós, cristãos, perdemos essa dimensão da eternidade em nós. Nósestamos tão massacrados pelo tempo e pelo espaço, e a religião se transformou num megafone que faz propostas e promessas de suposto cumprimento imediato, e que roubou do coração das pessoas toda fé na eternidade.

O que temos é corredor de sal grosso para você passar 30 vezes, e se passar bem passado, e frequentar a reunião da corrente dos empresários, ou se entrar em qualquer outro sistema, em qualquer outro “modus operandi” de mecânica espiritual, no fim, diz-se que você pode ter um carro novo, um apartamento ou qualquer outra coisa. Em outras palavras: a fé que usa do nome de Jesus, na maior parte das vezes, virou macumba. Virou despacho. Não tem mais Cruz, não tem mais sangue, não tem eternidade, não tem pacificação com Deus.

O que se tem agora é simplesmente consumo. E essa fezinha que está aí... é boa para você jogar na loteria, é boa para você jogar na Quina acumulada. Mas na hora em que o tranco da existência bate firme, bate forte e bate fundo na gente, ela não sobrevive, porque ela existe apenas por fazer a promessa de que se você cumprir determinadas coisas, alguns benefícios imediatos lhes serão garantidos; nada mais do que isso...

Agora, paz com Deus, tem que produzir em mim uma expectativa que transcenda o tempo, o espaço, o imediato, a violência, o estado de emergência, a crise familiar, as perdas imediatas, os lutos, as aflições.

Agora, eu pergunto a você: uma teologiazinha de prosperidade, que promete geladeira, Casas Bahia, Ricardo Eletro, Ponto Frio Bonzão, carro novo, tem o que para fazer no coração de alguém que acaba de perder as suas entranhas? Nada! A menos que você se glorie na esperança da glória de Deus! Aí, se você se gloria na esperança da glória de Deus, você não perdeu nada!

Paulo diz na seqüência do texto: “... quando nós ainda éramos pecadores”, estranhos, inimigos, alienados, sem saber de coisa alguma, Ele se reconciliou conosco, esperando apenas que a gente se reconciliasse com Ele para que nós usufruíssemos o bem que já nos está garantido. De tal modo que a minha reconciliação pela fé, não é o que faz Deus mudar de idéia a meu respeito. A reconciliação da parte de Deus já está feita, eu é que não sabia. Nem você. E, enquanto isso..., vivíamos no padecimento da neurose, da angústia, da fobia, da culpa, das trocas, das barganhas, do despacho, e de todas as aflições...

Sem falar que sem paz com Deus a vida passa a acontecer um permanente estado de suspeição contra os céus. “Será que alguma coisa aconteceu comigo? Ih, meu Deus! Eu perdi o Táxi. Será que é por que tem alguma coisa? Será que Deus está me preparando alguma?

É um sentimento de suspeição o tempo todo! O camarada chega ao aeroporto, na hora de pegar o avião, ele tem medo de que se aquele avião vá cair; ou se ele está ali e ele perde o avião, ele já interpreta aquilo: “Ai, graças a Deus, vai ver que é porque esse vai cair.” Não está nem preocupado com os 199 que estão lá dentro!

Sim, a maioria vive vida muito miserável. A gente vive, e a gente não se dá conta de como se vive uma vida de medo, medo, medo... o dia inteiro medo... medo de tudo.

Mas quando a paz com Deus se estabeleceu dentro de mim, o benefício é todo meu. Deus não ganha nada com isso, quem ganha sou eu. Já está feito, eu é que não sabia. Mas quando eu creio, o benefício vem para mim como paz. E ai, surge dentro de mim, uma dimensão completamente nova, que transcende o imediato. Eu continuo vivendo na terra, mas já me glorio na esperança da glória de Deus. Tá feito! E eu me glorio nessa esperança!

2º Ponto:

GLORIEMO-NOS, TAMBÉM, NAS PRÓPRIAS TRIBULAÇÕES

A segunda manifestação de gloria que essa paz com Deus gera na gente, que esse caminho de pacificação com Deus gera em nós, e que a maioria de nós não gosta. Isso porque Paulo prossegue, e diz: “... e gloriemo-nos, também, nas próprias tribulações”. Ai a gente diz: “Vira essa boca pra lá, pelo amor de Deus!”— e o camarada começa a fazer oração contra, inicia-se aquele processo de “tá amarrado”. Tem crente que lê Romanos 5, 2 e 3, dizendo: “Tá amarrado”. Tem gente que diz: “Eu não gosto dessa parte aqui... “tá amarrada”. Só que, meu amigo, você pode gritar “tá amarrado” o tempo todo, não está amarrado. Não a Palavra de Deus! Para o seu bem, não está amarrada!

Essa “vidazinha de fezinha” que nos promete falsas promessas, que seremos poupados de todas as coisas, porque agora a gente tem uma carteirinha de crente no bolso, e porque a gente frequenta uma sequência de reuniões não será jamais objeto e sujeito do sofrimento — porquanto se teria um domo invisível de proteção e de inatingibilidade sobre a cabeça —, é mentira, mentira, mentira; e eu diria: do diabo.

Isso porque a vida não vai tratar você assim. E quando a vida for o que ela é para você, você vai pensar que Deus enganou você; e quem enganou não foi Deus nem a Palavra dele. O responsável diabólico é esse “pacote de sedução falsa” que venderam para você em “nome de Jesus”.

E não adianta ficar dizendo “tá amarrado”, porque só fica amarrado aquilo que seja uma presença “alienígena” à existência humana. Mas aquilo que Deus determina, por mais estranho que pareça, faz parte de um processo de cura, de terapia, de crescimento, de aprofundamento da consciência em fé em mim, e não há mão humana que possa deter. Portanto, assim como você se gloria da esperança da glória de Deus, se glorie nas próprias tribulações.

O interessante é que, para nós, cristãos, quando a gente ouve falar em tribulação, quase sempre o nosso auto-engano nos leva a imaginar que tribulação é apenas aquele sofrimento que a gente acha que está sofrendo injustamente.

Tribulação para a maioria dos crentes é isso!

Tem um patrão chato, perseguindo; ou você se enganou e casou com a mulher rixosa e não sabia; tá preferindo trocar a mulher por uma goteira contínua na sua cabeça. Isso é tribulação de crente!

A tribulação é a vida! Seja quando você está certo, ou quando você está errado. Quando os outros cometem injustiça contra você, e, também, quando você comete contra os outros; intencionalmente ou não, conscientemente ou inconscientemente.

Tribulação é o caldo, é o produto, é o resultado, é a soma das contingencialidades, esse volume inteiro de coisas que estão para além do controle. Por isso, em outras palavras, o que Paulo está dizendo é que você se glorie na existência, em Deus. Não coloque nomes nas suas tribulações, porque o nosso auto-virtuosismo é tão grande que a gente só se sente atribulado quando a gente pensa — pela nossa própria justiça — que estamos sendo objeto de algum tipo de injustiça.

É obvio que Paulo não está recomendando que ninguém pratique o mal e se glorie acerca disso. O que ele está dizendo é que tudo aquilo que chega para mim na vida, e que, de algum modo, significa um susto, uma mudança, um toque que altera as coisas, e gera a presença de todos aqueles elementos que quando se aproximam da gente ou tocam na gente, fazem com que alguma coisa doa ou perturbe, ou tire o equilíbrio, ou mexa naquilo que a gente chamava de meu bem, e mexe a minha harmonia, é tribulação!

Paulo diz que se você está em Cristo e pacificado em Deus, a tribulação não tem o poder de fazer nada com você, a não ser de melhorá-lo. O mal perdeu o poder de se tornar maligno se você estiver com a sua consciência em Cristo, justificado pela fé e pacificado com Deus.

Mas, por outro lado, você não vai ser poupado de existir na vida, como ela é!

Gloriemo-nos, pois, nas próprias tribulações, sabendo que a tribulação produz têmpera, produz perseverança, produz consistência, fortalece, treina, enrijece, produz densidade. Sim, cria dentro de você um ser que não é estéril; ao contrário, vai dando a você corpo, forma, densidade interior, olhar firme, perseverança e vai gerar experiência.

Experiência só tem quem experimenta. Quem não experimenta não tem experiência. Eu acho engraçado que os crentes acham que a gente pode ter experiência, sem experimento. Você pode até, não necessariamente, experimentar tudo, e Deus o livre de buscar todos os experimentos. Só o idiota busca o experimento como dor! Você não precisa buscar experimento ruim nenhum. Mas se a vida trouxer a tribulação, com a forma que vier, persevere. Porque nesse caminho, aquilo que era mal, vai se transformar em experiência, aonde o experimento não foi algo que você evocou, mas aconteceu; e, uma vez tendo acontecido, problema dele, pois vai ser processado em Jesus para o seu bem.

3° Ponto:

GLORIEMO-NOS EM DEUS

Olha a seqüência maravilhosa que Paulo faz: Primeiro ele diz: “gloriemo-nos na esperança da glória de Deus”. Em seguida diz: “gloriemo-nos, também, nas próprias tribulações” e por último: ‘gloriemo-nos em Deus”.

Eu conheço pouca gente que de fato vive esse benefício de apenas ser de Deus. A maioria quer fazer alguma coisa para Deus. Quer que Deus se glorie nele, não ele em Deus. É o tal do “Eu vou fazer isso aqui para agradar a Deus.”

E toda vez que eu faço alguma coisa achando que eu vou agradar a Deus, eu já caí no profundo desagrado. Porque as coisas que eu faço que agradem a Deus não são aquelas que eu premedito; elas são frutos de um amor que me constrange. E a palavra original para “constrange”, no Novo Testamento, é a mesma que procede da raiz de cólicas intestinais. Esse constrangimento que vem das vísceras. Quando bate, ninguém precisa pensar; sabe o que fazer. E o amor de Cristo chega assim com esse poder, ninguém fica na dúvida quando o amor de Cristo chega, a gente sabe. Ele é quem me constrange a ir...

O último estágio é quando a consciência em fé cresce e você se gloria em Deus mesmo. E eu peço a Deus, de todo o meu coração, que eu chegue um dia a existencialmente me gloriar em Deus, só por Deus. Porque conquanto eu tenha consciência disso, não basta ter essa consciência; isso tem que virar uma verdade que entrou em mim; e não sai mais.

Mas há de chegar a hora em que a minha glória será em Deus, por Deus e só por Deus, sem nenhum “mas”, pois tudo já será em Deus para mim. Então você diz: “O Senhor é a minha porção e a minha herança!” Nesse dia você serve a Deus por nada, absolutamente nada. Você não serve mais nem a Deus para ser salvo; não serve mais nem a Deus por causa da glória prometida; a herança se instalou como presente, você se gloria no Deus que é.

Não há aqui nenhuma promessa de isenção; o que há é a certeza de uma segurança total. Não importa o que venha, acaba o medo. Quando essa consciência chega para gente, o mundo se desassombra. Essa é uma coisa que, se crida, meu Deus, desemprega um monte de psicólogos e psicanalistas e pastores.

Justificado, pois, mediante a fé, temos paz com Deus, por meio de nosso Senhor Jesus Cristo. Estamos firmes nessa graça e gloriamo-nos na esperança da glória de Deus; e não somente isto: gloriamo-nos nas próprias tribulações, sabendo que a tribulação produz perseverança, a perseverança experiência, e a experiência esperança; e a esperança não confunde, porque o amor de Deus é derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi outorgado. Amém!

Fonte: A Bíblia de Estudo Scofield – Almeida Corrigida Fiel- 2009, São Paulo, S